Segunda-feira, 18 de Julho de 2011

Pai

Quando eu tinha 14 anos e, num campo todo coberto de canas já com o milho maduro, enquanto eu ajudava o meu pai (tinha ele na altura setenta anos), tirávamos lentamente os folhelhos às maçarocas para que se fossem (tal como todos os seres recém-nascidos) habituando lentamente á luz do sol. E ele deu-me a seguinte justificação sobre a minha existência: -

 

Sabes? És a minha oitava filha. Dizem que vieste ao destempo. Para mim vieste muito a tempo para agora me estares aqui a fazer companhia e eu ter o grande prazer de estar a ter esta conversa contigo. Vieste mais tarde, é certo. Mas te garanto que foste tão amada ou mais que os outros. E mais ainda te digo: estás comigo no campo, coisa que os outros teus irmãos e irmãs mais velhos nunca quiseram fazer.

 

Sinto-me privilegiada a passar o testemunho do meu pai, que agora teria 104 anos, sendo eu mãe fora de um campo de milho aqui, nesta cidade de céu azul, que eu escolhi para viver e onde tenho o orgulho de acompanhar os meus filhos quando eles me deixam.

publicado por nomeoriginal às 23:23

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